A Garota Perfeita - capítulo 1



A Garota Perfeita - capítulo 1

 Kayla nasceu há 14 anos na cidade de Lauro de Freitas, Brasil no ano de 2315. Em 2100, o mundo chegou ao auge dos eventos climáticos. Em várias partes do planeta, ocorreram secas severas, calores intensos, geadas rigorosas e uma leve mudança na atmosfera que fez o sistema de comunicação global falhar. Todos esses eventos em conjunto reduziram drasticamente a oferta de comida e água. Com isso, ao longo de cem anos, o mundo perdeu cerca de 80% de sua população.


Enquanto os países tentavam se reconstruir, a Terra recebeu visitantes de outros planetas capazes de usar o que chamamos de magia. Da relação entre humanos e esses seres, os descendentes passaram a adquirir poderes de diversas formas. Atualmente, cerca de 15% da população mundial possui algum tipo de habilidade especial.


Nos dias atuais, em 2 de fevereiro de 2329, a residência da família Santos, situada na Rua Vicente, no bairro Vertical, desperta cedo. A partir das 5h30 da manhã, Kayla e seus irmãos se preparavam para o primeiro dia de aula no Colégio Municipal Raio de Luz, um dos três melhores da cidade.


Com 1,72 m de altura, cintura um pouco acima da média e longos cabelos loiros, Kayla estuda no colégio desde a quinta série. Ao longo desse período, manteve-se sempre entre os cinco melhores estudantes, integrou o conselho estudantil e conquistou a admiração de todos. Frequentemente era alvo de vários pedidos de namoro, mas todos eram recusados. Literalmente, era considerada a garota perfeita.


Ela levantou da cama — sem deixa nada desarrumado como de costume — e foi ao banheiro tomar um banho. No mesmo instante, seus irmãos faziam o mesmo. Enquanto isso, os pais arrumavam a mesa para o café da manhã. Reunidos, Kayla cumprimentou:



— Bom dia, mãe. Bom dia, pai e meus irmãos.


— Bom dia, minha filha. Dormiu bem? — disse a mãe.


— Bom dia, querida — respondeu o pai.

Bom dia, yla— respondeu Daniel.



Bom dia mana — respondeu Nádia.


— Vamos, queridos, apressem-se! Tomem suas refeições, que a hora de sair se

aproxima - alertou a mãe. - vou ligar o carro, não demorem. Não vão chegar atrasados logo

no primeiro dia de aula!


Os irmãos, sob o ritual do tradicional café, saíram da mesa apressados quando a mãe avisou da porta

— Ei, vocês estão esquecendo de uma coisa!

— O quê? O que a senhora está dizendo? — perguntou Kayla.— Esqueceu do nosso acordo? Eu e seu pai colocamos os alimentos na mesa, e vocês

são responsáveis por tirar e arrumar — lembrou a mãe.


Eles fizeram a tarefa rapidamente, enquanto lá fora o pai já buzinava várias vezes. Maria, a mãe, já estava sentada no banco da frente. Os filhos foram chegando um a um. Hugo deu partida no automóvel e seguiram rumo à primeira parada: o Colégio Municipal Raio de Luz.


Hugo despediu-se dos filhos:


— Tchau, queridos. Nos vemos à noite. Voltem para casa com segurança e



aproveitem o primeiro dia de aula!



A mãe desceu do carro, eles se despediram dos pais e entraram na escola, que abrigava cerca de 15 mil alunos entre humanos e não humanos. Os irmãos procuraram suas classes, que ficavam no lado oposto ao de Kayla. Quando Kayla olhou para os dois, recomendou:


— Daniel e Nádia, vão procurar suas salas e se comportem, hein!


— Eu sou bastante comportado, um anjo viu, mana! — gabou-se Daniel.


— Eu sou muito comportada — acrescentou Nádia.

(No entanto, vale lembrar que no ano passado Daniel havia recebido quatro advertências, sendo duas por culpa de Nádia).


Kayla foi em direção à sua sala pelo corredor quando avistou sua amiga Tereza, que logo chamou:

— Oi, amiga! Tudo bem com você? Já encontrei minha sala e adivinha quem está nela também? É claro que é voçê!

— Eu estava procurando, mas te agradeço por me informar, querida. A propósito, em que sala o Ezequiel está? — perguntou Kayla.

— Hummm... ano passado ele era da sala ao lado, mas dessa vez... — Tereza fez um leve suspense, revelando com um ar de felicidade: — ...está na nossa!


Um brilho de animação passou pela cabeça das duas amigas, que nem perceberam a aproximação de Ivini. Ela observou as duas de perto e brincou:

— Bom dia, meninas! Estão tirando fotos com os olhos de tanto sonhar acordadas, Tereza? Com quem será, hein?

Risadas surgiram.



— Ezequiel é o garoto mais popular da escola, as meninas ficam sem fôlego. Porém


Só no ano passado ele trocou seis vezes de namorada! — lembrou Ivini.



Vamos para a sala — chamou Kayla.



A sala de aula do segundo ano B do ensino médio tinha 35 alunos. Kayla e suas amigas entraram e se sentaram nas primeiras carteiras das três fileiras da frente. Assim que entrou, Caio deu dois passos, parou e disse em voz alta:


— Meu Deus, para tudo! Que esse momento fique cravado pela eternidade. Tenho


certeza de que os céus me adoram: tive a sorte de estudar na mesma sala que três

celebridades entre as meninas! Kayla, Ivini e Tereza...



— Tosa esse exagero, moleque! — cortou Ivini, rindo.


— É mais um donzelo de plantão — comentou Tereza.



— Calma, meninas — amenizou Kayla.


Nesse instante, o professor de matemática chegou e deu início à chamada, seguida pela aula. A grade curricular incluía matemática, português, ciências, geografia, história, química (desenvolvida dentro de ciências) e física (em matemática). Havia também a matéria de Controle de Força, uma disciplina essencial dado que 15% da população mundial possuía algum poder — e mesmo os desprovidos de magia podiam ser compatíveis com artefatos criados pela ciência. Essa matéria substituía a antiga educação física, tornando-se obrigatória em todas as instituições de ensino básico do mundo.


Enquanto o professor escrevia no quadro e apresentava a grade do primeiro ciclo, Kayla e Tereza olhavam discretamente para Ezequiel, que parecia totalmente concentrado na matéria.



No fundo da sala, Caio reparava em tudo e comentava com seu colega Bruno:

— Meu brother, que sorte a nossa! Três beldades na nossa sala, mas ao mesmo tempo um grande azar... poxa, o cara mais popular logo na mesma turma!

— Pô, cara, você disse tudo. Será que sobra alguma chance pra gente esse ano? tenho planos de sair do anonimato, elas vão finalmente saber que eu existo — suspirou Caio.


Caio nem percebeu a aproximação do professor, que já foi perguntando em cima da hora:

— Diga a todos, Caio: quem vai saber que você existe?


Ele ficou assustado e gaguejou:

Na... nada, professor!



Todos na sala começaram a rir sem parar. Quando o sino tocou — "salvo pelo gongo, ou melhor, pelo sinal", pensou Bruno —, a troca de aula aconteceu. A próxima era português com a professora Fátima, uma mestre super premiada e pioneira na tradução de uma linguagem antiga, pela qual os alunos nutriam profunda admiração.



Ao entrar na sala, instaurou-se um silêncio absoluto. Confusa com a quietude


repentina, a professora perguntou:


— Por que tanto silêncio?


Caio, lá do fundo, respondeu sem pensar duas vezes:


— Porque a estrela chegou, professora!


A professora arqueou uma sobrancelha:


— É o quê, menino? Sou uma estrela, é isso?


— É... tipo uma celebridade com milhares de seguidores, professora!


— E quem é você mesmo? Qual o seu nome?


— Caio, ao seu dispor, professora!


Nesse momento, ele se levantou, ajeitou a postura e caminhou em direção à mesa dela, quando a professora o fez parar com um gesto firme e disse: 


Em breve capítulo 2

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