A Garota Perfeita - capítulo 1
Kayla nasceu há 14 anos na cidade de Lauro de Freitas, Brasil no ano de 2315. Em 2100, o mundo chegou ao auge dos eventos climáticos. Em várias partes do planeta, ocorreram secas severas, calores intensos, geadas rigorosas e uma leve mudança na atmosfera que fez o sistema de comunicação global falhar. Todos esses eventos em conjunto reduziram drasticamente a oferta de comida e água. Com isso, ao longo de cem anos, o mundo perdeu cerca de 80% de sua população.
— Bom dia, mãe. Bom dia, pai e meus irmãos.
— Bom dia, minha filha. Dormiu bem? — disse a mãe.
— Bom dia, querida — respondeu o pai.
— Bom dia, yla— respondeu Daniel.
— Bom dia mana — respondeu Nádia.
— Vamos, queridos, apressem-se! Tomem suas refeições, que a hora de sair se
aproxima - alertou a mãe. - vou ligar o carro, não demorem. Não vão chegar atrasados logo
no primeiro dia de aula!
Os irmãos, sob o ritual do tradicional café, saíram da mesa apressados quando a mãe avisou da porta
— Ei, vocês estão esquecendo de uma coisa!
— O quê? O que a senhora está dizendo? — perguntou Kayla.— Esqueceu do nosso acordo? Eu e seu pai colocamos os alimentos na mesa, e vocês
são responsáveis por tirar e arrumar — lembrou a mãe.
Eles fizeram a tarefa rapidamente, enquanto lá fora o pai já buzinava várias vezes. Maria, a mãe, já estava sentada no banco da frente. Os filhos foram chegando um a um. Hugo deu partida no automóvel e seguiram rumo à primeira parada: o Colégio Municipal Raio de Luz.
Hugo despediu-se dos filhos:
— Tchau, queridos. Nos vemos à noite. Voltem para casa com segurança e
aproveitem o primeiro dia de aula!
A mãe desceu do carro, eles se despediram dos pais e entraram na escola, que abrigava cerca de 15 mil alunos entre humanos e não humanos. Os irmãos procuraram suas classes, que ficavam no lado oposto ao de Kayla. Quando Kayla olhou para os dois, recomendou:
— Daniel e Nádia, vão procurar suas salas e se comportem, hein!
— Eu sou bastante comportado, um anjo viu, mana! — gabou-se Daniel.
— Eu sou muito comportada — acrescentou Nádia.
(No entanto, vale lembrar que no ano passado Daniel havia recebido quatro advertências, sendo duas por culpa de Nádia).
Risadas surgiram.
— Ezequiel é o garoto mais popular da escola, as meninas ficam sem fôlego. Porém
Só no ano passado ele trocou seis vezes de namorada! — lembrou Ivini.
— Vamos para a sala — chamou Kayla.
A sala de aula do segundo ano B do ensino médio tinha 35 alunos. Kayla e suas amigas entraram e se sentaram nas primeiras carteiras das três fileiras da frente. Assim que entrou, Caio deu dois passos, parou e disse em voz alta:
— Meu Deus, para tudo! Que esse momento fique cravado pela eternidade. Tenho
certeza de que os céus me adoram: tive a sorte de estudar na mesma sala que três
celebridades entre as meninas! Kayla, Ivini e Tereza...
— Tosa esse exagero, moleque! — cortou Ivini, rindo.
— É mais um donzelo de plantão — comentou Tereza.
— Calma, meninas — amenizou Kayla.
Nesse instante, o professor de matemática chegou e deu início à chamada, seguida pela aula. A grade curricular incluía matemática, português, ciências, geografia, história, química (desenvolvida dentro de ciências) e física (em matemática). Havia também a matéria de Controle de Força, uma disciplina essencial dado que 15% da população mundial possuía algum poder — e mesmo os desprovidos de magia podiam ser compatíveis com artefatos criados pela ciência. Essa matéria substituía a antiga educação física, tornando-se obrigatória em todas as instituições de ensino básico do mundo.
No fundo da sala, Caio reparava em tudo e comentava com seu colega Bruno:
— Meu brother, que sorte a nossa! Três beldades na nossa sala, mas ao mesmo tempo um grande azar... poxa, o cara mais popular logo na mesma turma!
Caio nem percebeu a aproximação do professor, que já foi perguntando em cima da hora:
— Diga a todos, Caio: quem vai saber que você existe?
Ele ficou assustado e gaguejou:
— Na... nada, professor!
Todos na sala começaram a rir sem parar. Quando o sino tocou — "salvo pelo gongo, ou melhor, pelo sinal", pensou Bruno —, a troca de aula aconteceu. A próxima era português com a professora Fátima, uma mestre super premiada e pioneira na tradução de uma linguagem antiga, pela qual os alunos nutriam profunda admiração.
Ao entrar na sala, instaurou-se um silêncio absoluto. Confusa com a quietude
repentina, a professora perguntou:
— Por que tanto silêncio?
Caio, lá do fundo, respondeu sem pensar duas vezes:
— Porque a estrela chegou, professora!
A professora arqueou uma sobrancelha:
— É o quê, menino? Sou uma estrela, é isso?
— É... tipo uma celebridade com milhares de seguidores, professora!
— E quem é você mesmo? Qual o seu nome?
— Caio, ao seu dispor, professora!
Nesse momento, ele se levantou, ajeitou a postura e caminhou em direção à mesa dela, quando a professora o fez parar com um gesto firme e disse:
Em breve capítulo 2
