🔞 Classificação Indicativa: 14 anos (Contém suspense, tensão e criaturas).
⚔️ Gênero: Conto Ficcional / Narrativa Antropomórfica (Fábula Moderna).
🔮 Temáticas: Vida de cães, comportamento animal, amadurecimento e adaptação.
"Lord é um cão vira-lata com uma missão complicada: entender a lógica bizarra dos humanos e sobreviver ao seu novo lar. Após ser separado de sua mãe, ele é levado para uma casa onde as regras já têm donos. No quintal, ele precisa encarar Duke, um cão gigante e intimidador; dentro de casa, uma verdadeira dinastia de gatos estrategistas domina a escada. e o surgimento de novos amigos Narrado pelo ponto de vista irônico e expressivo do próprio Lord, o conto acompanha os primeiros e mais apavorantes passos de um filhote tentando encontrar o seu lugar no mundo"
O Mundo na Visão dos Cães - Capítulo 4: Lembranças.
Eu fui levantar a patinha traseira e dar aquela carimbada clássica de urina para avisar a quem quer que fosse que o Lord agora fazia parte daquele ecossistema.
Mas a verdade é que eu não pude nem marcar nada. Eu não tive coragem. Afinal de contas, eu tinha plena consciência de que era apenas um filhote sem tamanho e sem força.
Eu sabia que, se ousasse soltar uma gota de xixi naquele território sem a permissão dos donos da casa.
— especialmente com aquela plateia felina me vigiando do alto —, eu estaria assinando a minha própria sentença de despejo ou arrumando uma guerra que terminaria muito mal para mim. Guardei o meu cheiro para mim e continuei a andar feito um turista educado.
A ração em dia.
Com o passar dos primeiros dias, a rotina foi se estabelecendo e eu finalmente consegui catalogar quem eram os dois animais de duas pernas que tinham me adotado.
A mulher que me carregou no colo e me salvou do Duke era a Maria. Pensa numa fêmea humana gente boa!
Ela tinha uma voz mansa, nunca gritava comigo e passava metade do tempo agachada no chão me fazendo cocegas na barriga, bem naquele ponto atrás das patas dianteiras que faz a perna da gente chacoalhar sozinha.
O homem, aquele que dava as ordens parrudas para o Duke, era o Jorginho. Até hoje, quando deito a cabeça nas minhas patinhas para filosofar sobre a vida, eu acho que o nome dele é Jorginho porque ele é meio pequeno se comparado aos outros homens altos que andam pela rua.
Só pode ser isso, não é? Os humanos adoram colocar esses nomes no diminutivo para fazer piada com o tamanho dos outros.
Mas, independentemente do tamanho do Jorginho, ele tinha o meu total respeito, porque bastava ele estalar os dedos para o monstro do Duke sentar na hora.
Mas se você quer saber o real motivo de eu ter me apaixonado por aquela casa nova, eu te conto sem rodeios: a ração lá era simplesmente top de linha! Na outra casa, eu comia umas paradas meio sem gosto.
As vezes restos de comida fria que grudavam no céu da boca. Mas com a Maria e o Jorginho o sistema era bruto.
Era uma ração crocante, com um cheiro maravilhoso de carne com vegetais que invadia a casa inteira assim que o pacote era aberto.
E o melhor de tudo: tinha horário certinho! Todo santo dia, de manhã bem cedo e no final da tarde, eu escutava o som divino dos grãos batendo no fundo do pote de inox: plim-plin-plim. Era o sinal da felicidade.
Depois que aquela rotina de fartura começou, vou te mandar a real: eu não fiquei com saudades nenhuma daquela outra mulher da minha antiga vida.
Aquela fêmea humana passava vinte e quatro horas por dia de cara amarrada, com a voz irritada, só sabendo reclamar de mim e latir ordens que eu nem entendia.
Olha só para mim! Dá uma olhada no meu porte. Eu sou um filhote todo branquinho, com o pelo limpo, cara de anjo e os olhos mais pidões e bonitinhos de toda a vizinhança. Eu não fazia absolutamente nada de errado para apanhar de vassoura ou ouvir tantos gritos.
É claro que... bem, além de mijar nos cantos da casa de vez em quando pera ai acho que quase sempre, mas isso é um detalhe irrelevante.
E um cocô aqui e ali também, né? Vamos ser francos, ninguém é feito de ferro, o metabolismo de um filhote é acelerado e a comida gostosa eu achava né mas depois de sair de lá, ele precisava sair por algum lugar depois de digerida.
Os humanos é que fazem um drama exagerado por causa de umas coisinhas legítimas da natureza.
E tinha também aquela outra mania que eu desenvolvi, mas que, na minha opinião de especialista, é a coisa mais normal do mundo:
Eu só mordia as coisas para coçar os meus dentes novos que estavam nascendo.
Eu precisava testar a resistência dos materiais! Mordia umas sandálias de borracha que ficavam jogadas no corredor, uns sapatos de couro legítimo que tinham um gosto incrível e pareciam ossos artificiais, e algumas roupas que deixavam cair do cesto de roupa suja.
Mas fala sério, fazer trama, gritar e chorar por causa de um pedaço de plástico mastigado ou de uma meia furada?
Reclamar disso é uma tremenda loucura, né não? Esses humanos deviam entender que roer faz parte da minha arte!.
Em Breve Capítulo 5
